No final da entrega de prémios no Diana Bar – e enquanto os vídeos galardoados voltavam à tela –, o Rascunho deu uma volta rápida pelas restantes portas da cidade que davam para o ViMus. Deixamos aqui uma curta mostra de imagens da ronda, já que nos ficámos, durante todo o festival, no histórico edifício plantado no areal, onde José Régio tinha por costume escrevinhar as suas linhas. O primeiro fotograma é da visita ao Plastic, seguindo-se Brisa e Dali Daki [fica a faltar o espaço Oito Zero]. Fotografias de Miguel Ferreira

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O vídeo Hold Still, de David Fonseca, sai do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim com três prémios. O Hip Hop esteve em destaque nos documentários. Para o ano, está prometido, há mais.

A primeira edição do ViMus chegou ontem ao fim com David Fonseca em destaque. O vídeo de Hold Still foi o grande vencedor do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. Realizado pelo próprio David Fonseca em parceria com Augusto Brázio, o teledisco arrecadou três prémios – Vídeo do Ano, Melhor Fotografia e Melhor Vídeo Conceptual.

Hold Still é um dos singles retirados do segundo trabalho a solo de David Fonseca (na foto), Our Hearts Will Beat As One, lançado em 2005. Produzido entre Londres e Lisboa, o vídeo é o resultado de uma montagem de fotografias de Augusto Brázio. A canção conta com a voz de Rita Redshoes, que também deixa a sua marca no suporte audiovisual do tema. [ver videoclipe abaixo]

Ainda por campeonatos nacionais, o ViMus distinguiu no género de videoclipe propostas de Sam the Kid (Melhor Vídeo Performativo para Poetas de Karaoke, realizado por Rui de Brito), The Vicious Five (Melhor Animação para Bad Mirror, realizado por Luís Alegre e Janci) e You Should Go Ahead (Melhor Vídeo Ficção para Wake Up Song, realizado por Miguel Rocha).

O júri – que se fazia valer do jornalista Nuno Galopim, e dos realizadores José P. Pinheiro e Luís Cerveró – decidiu ainda atribuir um prémio especial ao vídeo Ping Pong, dos X-Wife, realizado por Kalle Kotila e Tomi Malakias.

Rap lisboeta vence nos documentários

Nu Bai – O Rap Negro de Lisboa arrecadou o único prémio da Competição Nacional de Videodocumentários. Num filme com cerca de uma hora de entrevistas a vários rappers da periferia alfacinha, Otávio Raposo leva à tela a vontade de «apontar o dedo ao racismo, à exclusão, à violência policial, à pobreza», enfim, à «vida de preto», como diz.

Contudo, a cultura Hip Hop não se ficou por aqui na programação do festival poveiro. Enciclopédia Hip Hop Vol 1, de Uncle C e Mário Brás, com uma abordagem directa e apaixonada, e Lusofonia, a (r)evolução, que pensa a importância da música negra no imaginário lusófono – este último fora da competição –, ajudaram o auditório a melhor compreender o movimento.

O ViMus levou ainda a concurso os documentários Filhos do Tédio, de Rodrigo Fernandes e Rita Alcaire, Não me obriguem a vir para a rua gritar, de João Pedro Moreira, Rockumentário, de Sandra Castiço, e Humanos – A Vida em Variações, de António Ferreira. O retrato cinematográfico dos Heróis do Mar, Brava Dança, de José F. Pinheiro e Jorge P. Pires, também foi exibido, sem integrar a competição.

Eixo Alemanha-Japão desenha novas potências

A co-produção germano-japonesa do realizador Tim Katz para Whirr, dos Fonica, é o Vídeo do Ano e o Melhor Vídeo Conceptual para o ViMus, no plano internacional. A concurso estava quase uma centena de telediscos, dos mais diversos países.

Na mesma competição, foram laureados Feist (Melhor Vídeo Performativo para 1234, realizado por Patrick Daughters), Beck (Melhor Animação para Cell phone’s dead, realizado por Michel Gondry), Yeah Yeah Yeahs (Melhor Fotografia para Gold lion, outro realizado por Patrick Daughters) e Modest Mouse (Melhor Ficção para Dashboard, realizado por Mathew Cullen e Grady Hall). Mais uma vez, o júri decidiu atribuir um prémio especial, desta feita para o vídeo Capital, de Lyapis Trubetskoy, dirigido por Aliaksei Tserakhau. [ver videoclipe abaixo]

ViMus regressa em 2008

O Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, que decorreu entre 6 e 9 de Novembro em vários espaços da cidade, apresentou ainda uma retrospectiva sobre o trabalho de José F. Pinheiro e dois dos três episódios – Flamenco (1995) e Tango (1998) – sobre a canção urbana realizados pelo espanhol Carlos Saura, entre outras propostas extra-competição.

Com edição garantida para 2008 pelo vereador da Cultura da autarquia local, Luís Diamantino, o ViMus promete regressar com «um carácter e um espírito diferentes», «mais abrangente em termos internacionais», adiantou Hilário Amorim, um dos principais responsáveis pelo organização do festival, na cerimónia de entrega e prémios. A ideia parece simples: «crescer».

Palavra final aos realizadores: «o grande mérito deste festival é dar algum sentido à nossa actividade e à nossa paixão», agradeceu José F. Pinheiro; contudo, «vai continuar a ser muito difícil fazer videoclipes em Portugal, nos próximos anos», lamentou Rui de Brito.

Carlos Saura volta a ter honras de abertura hoje, mas desta feita para o derradeiro dia do festival e no Diana Bar, às 16h00. Tango (1998) é o filme que dá continuidade ao primeiro filme do realizador espanhol a passar no festival – Flamenco (1995). [Ainda por estrear em Portugal está Fados (2007), o culminar da trilogia do cineasta sobre a canção urbana.]

No entanto, são José F. Pinheiro e Jorge P. Pires que levam hoje à tarde (18h30) a paisagens poveiras o filme mais esperado desta edição zero do ViMus. Falamos de Brava Dança, que retrata um dos projectos mais originais da música nacional das últimas décadas – os Heróis do Mar.

Para a noite está reservada a entrega de prémios (21h30), a exibição do documentário premiado (23h30) e ainda de Lusofonia, a (r)evolução (00h30). Tudo no Diana Bar. Para já, fica uma amostra de Brava Dança.

O documentário Filhos do Tédio foi – até agora – a peça aplaudida com mais entusiasmo nesta primeira edição do ViMus, a decorrer na Póvoa de Varzim desde quinta-feira. A proposta de Rodrigo Fernandes e Rita Alcairena para a Competição Nacional de Videodocumentários do festival visa a década de vida dos famigerados Tédio Boys, entre Coimbra e os EUA, durante os anos 90. Filhos do Tédio foi apresentado ontem no Diana Bar com a presença de Rita Alcairena (Rodrigo Fernandes vive e trabalha em Londres – não conseguiu incluir o ViMus na agenda). Fica a recordação imagética.

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    O Plastic também acolheu Filhos do Tédio na noite de ontem. Pelo Diana Bar, apresentou-se ainda a Competição Nacional de Videoclipes.

Tal como aconteceu ontem com o internacional, a equipa do ‘Rascunho no ViMus’ escolhe hoje três telediscos de cada um dos três blocos da Competição Nacional dedicada ao género, que passaram na noite de sábado pela tela do Diana Bar. Desta vez, a selecção ficou a cargo de Liliana Pacheco e Hugo Torres. Sem mais conversa:

Bloco 1.


Pedro Cláudio realiza Who are you?, de David Fonseca
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Luís Alegre realiza, com Janci, Bad Mirror, de The Vicious Five
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Dazkarieh realizam Vitorina, de Dazkarieh

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Bloco 2.


Paulo Abreu realiza Cacto, de Dead Combo
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Miguel Rocha realiza Wake up song, de You Should Go Ahead
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Easy Lab realiza Mundos Mudos, de Da Weasel

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Bloco 3.


Pedro Lino realiza Her scarf, de Old Jerusalem
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Rodrigo Areias realiza On the edge, de d3ö
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Moonspell realizam Finisterra, de Moonspell

Como prometido, o Rascunho deu corda aos lápis, às canetas, às telas e às aguarelas, e teceu um comentário ao Vol 1 da Enciclopédia Hip Hop, assinada por Uncle C. O filme está no ViMus integrado na Competição Nacional de Videodocumentários e propõe três anos de imagens recolhidas aleatoriamente em 92 minutos. Em causa está a mais poderosa – muito provavelmente – canção urbana dos nossos dias – o Hip Hop. Segue um excerto da reflexão, que pode ser lida na íntegra aqui. Texto de Hugo Torres e fotografia de Miguel Ferreira

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Uncle C gastou dinheiro, viajou, conversou, tentou chegar a todas as vertentes do Hip Hop, sempre com uma pequena câmara na mão, sem se valer de microfones, sem iluminação, sem equipa de filmagem, provavelmente sem guião. Sem experiência. Sem pré ou pós-produção. Produção? Perdão? A montagem não é brilhante. Os entrevistados são bem escolhidos: entre MC’s, DJ’s, B-Boys e grafiteiros, jornalistas, divulgadores, ouvintes, acompanhantes, enfim, importantes figuras do meio que se põem a pensar o Hip Hop em frente à lente. O resultado é digno de atenção.

E discorrer sobre o Hip Hop não é apenas uma preocupação extraconjugal – isto é: sobre a relação desta cultura específica com o total da sociedade e a forma como esta vê aquela. É mais. É pensar a unidade, os caminhos – passado e futuro –, a expressão – o Hip Hop como coisa boa, como atenta Beto –, a imagética e a logística. Perceber que não é marginal: o radialista António Santos (responsável pelo Solstício da RDP) fala em mais de uma dezena de maquetas a chegarem-lhe às mãos diariamente – falta visibilidade na rádio e na televisão, diz, mas defende um «outro modelo, outro mosaico» relativamente aos EUA. (A este propósito, segue Valete: «somos artistas independentes cada vez menos tocados, porque os directores de programas estão cada vez mais caros». O autor de Anti-Herói avisa mesmo: «vem aí o segundo 25 de Abril».)

O número de assentos vazios na casa-mãe do ViMus, o Diana Bar, mostrou tendência para diminuir da tarde para a noite, no primeiro dia de competição (sexta-feira, dia 7). Sob o luar cansado de uma semana inteira de trabalho, o público foi presenteado com tripla dose da Competição Internacional de videoclipes, mais a dupla António Ferreira/ Sandra Castiço que levou ao festival os documentários Humanos – A vida em Variações – sobre a curta mas intensa vida do projecto de tributo a António Variações – e Rockumentário – a propósito dos Bunnyranch.

Seguem-se três fotogramas para ilustração. Primeiro a sala, depois a tela humana e, por fim, a pequena conversa do jornalista Álvaro Costa com Sandra Castiço. Fotos De Miguel Ferreira

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Depois de fotografar e relatar a inauguração do ViMus, que exibiu a peça de arranque para a trilogia sobre a canção urbana assinada pelo espanhol Carlos Saura, escrevemos agora sobre o filme, Flamenco, datado de 1995, nas páginas do Rascunho. Fica um trecho e uma fotografia da sessão inaugural do festival no Casino da Póvoa, na passada quinta-feira. O comentário pode ser lido na íntegra aqui. Fotografia e texto de Miguel Ferreira

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A viagem ao mundo do Flamenco – de Carlos Saura – começa com um travelling, o movimento de câmara condizente com o género musical, traduzido através da música e da expressão corporal. Trilhando o caminho da lente que o regista, para a posteridade, um narrador conta-nos a história do flamenco, falando compaixão das suas origens, das diferentes raízes que o caracterizam. E fica-se por aí, o resto da história é narrada através de notas musicais, corpos a funcionar sob a forma de instrumento de percussão ao mesmo tempo que traduzem tudo o que a música lhes transmite através da dança.

O Flamenco é multifacetado, assume os mais variados estados de espírito, é a música e os seus intérpretes que o transmitem. É ela que passa a mensagem da disposição do corpo da mente, daí os cenários serem minimalistas, os planos em número reduzido. Aposta-se nos músicos, cantores, bailarinos e na riqueza da cultura do flamenco para preencherem com qualidade os 100 minutos de filme. Imaginam-se e travam-se diálogos sob a forma de vozeirões carregados de um fardo a querer ser expulso através da voz. A acção consegue-se através do bailarino que salta da sua postura sentada e enfrenta a câmara sozinho, usando o corpo num ritmo que acompanha e, por vezes, dita o compasso da música. E estão reunidos ingredientes que compõem um filme de uma forma inteligente e sintetizada.

Na Recolha Internacional, a equipa do ‘Rascunho no ViMus’ escolhe três videoclipes de cada bloco competitivo internacional – o mesmo se passará com a competição nacional, numa rubrica gémea de nome Recolha Nacional – para, em opinião (não vinculativa com a do júri do festival), mostrar o que de melhor se vai passando na Póvoa de Varzim. Nesta estreia estão em causa os blocos 1, 3 e 5, e o trio de votantes responde pelos nomes Miguel Ferreira, Gonçalo Nova e Hugo Torres. O total de participantes da Competição Internacional pode ser consultado aqui.

Bloco 1.


Robert Hales realiza Love stoned, de Justin Timberlake (EUA)
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Kalle Kotila realiza Come Clean, de Montevideo (Finlândia)
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Aliaksei Tserakhau realiza Capital, de Lyapis Trubetskoy (Bielorrúsia)

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Bloco 3.


Gary Koepe realiza Window in the sky, de U2 (Irlanda)
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Bill Plympton realiza Don’t download this song, de Weird Al Yankovic (EUA)
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Motomichi Nakamura realiza We share our mothers’ health, de The Knife (Suécia)

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Bloco 5.


Brendan Cook realiza Hearts a mess, de Gotye (Austrália)
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Ces Messieurs (From L.A.) realiza Dancing Cyprine, de Omaha Bitch (França)
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Mike Mills realiza The Dress, de Blonde Redhead

Na primeira tarde do ViMus no Diana Bar, o público esteve ameno e muitos lugares ficaram por ocupar. A programação propunha o primeiro bloco da Competição Nacional de Videoclipes, o documentário Enciclopédia Hip Hop, de Uncle C, e a retrospectiva Ecletia, de Luís Cerveró, que avança um panorama sobre o estado do videoclipe na vizinha Espanha. Fotos de Miguel Ferreira

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Enciclopédia Hip Hop foi a sessão que juntou a maior audiência de hoje à tarde no Diana Bar, apesar dos números estarem longe da lotação da sala – talvez a noite seja diferente.

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A peça documental de Uncle C, que expõe a cultura Hip Hop através de uma pequena handycam digital, com imagens obtidas ao longo de três anos nos mais diversos espaços, terá direito a um comentário no Rascunho nas próximas horas. Contaremos, então, com a vossa contra-argumentação.

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